Mulheres e cunhagem na Antiguidade : Filiste perdida no Sylloge Nummorum Graecorum

Post escrito por Sandra Péré-Noguès. Disponível online há vários anos (para o deleite de estudiosos especialistas e amadores de numismática antiga), a base de dados do Sylloge Nummorum Graecorum – SNG – oferece uma primeira porta de entrada para um conjunto de informações até agora indisponíveis. Ela está disponível neste link: http://www.sylloge-nummorum-graecorum.org/

No entanto, a consulta é altamente complexa quando buscamos cunhagens em que mulheres aparecem, especialmente as mulheres gregas. Uma das razões reside no sistema de referências das cunhagens antigas que, a princípio, herdou dos antigos corpora, a prática de classificar as moedas pelo reino (a partir do período helenístico), independente das rainhas que poderiam constar em alguns exemplares sob a forma de efígies individuais ou associadas a seus esposos. Assim, é difícil recuperar as cunhagens contendo Cleópatra ou Berenice as quais, no melhor dos casos, estão classificadas sob a categoria da dinastia.

Em uma pequena lista de vinte nomes femininos presentes na lista de “governantes”, a maior parte se refere às imperatrizes romanas, e poucos fazem referência aos nomes de soberanas helenísticas. A sua descoberta é, portanto, um verdadeiro desafio, como mostra o exemplo de Filiste, esposa de Hierão II (308-215) e o reino de Siracusa. É inútil procurar seu nome na longa lista de “governantes”, porque ele não está lá. O nome aparece, por outro lado, se tentarmos uma pesquisa geral pelo nome “Philistis”. Dezenove exemplares são apresentados, provenientes de oito diferentes coleções públicas e privadas. Em cada exemplar ela está retratada à direita, sempre com o véu circundado por uma tiara, sendo acompanhada no reverso por uma legenda que fornece a sua própria identidade: ΒΑΣΙΛΙΣΣΑΣ ΦΙΛΙΣΤΙΔΟΣ.

Os numismatas dão pouca atenção aos tipos iconográficos que representam as mulheres, pois devotam mais interesse às deusas que são, é verdade, representadas mais frequentemente (ver F. de Callataÿ, « La femme et la monnaie » [“A mulher e a moeda”], em La Grèce antique et les femmes. Hélène, Aphrodite, Aspasie et les autres [A Grécia Antiga e as mulheres. Helena, Afrodite, Aspásia e as outras]. Catálogo da exposição sob a direção de Marchetti (exposição na abadia Saint-Gérard de Brogne, 8 de maio a 7 de novembro de 2004). Mas o próprio fato de que algumas mulheres têm ocupado um espaço na iconografia monetária e que elas foram designadas por uma legenda, testemunha, sem dúvida, uma outra realidade, tanto de seu lugar nos círculos de poder político, quanto de suas próprias relações com esse poder. Ainda será feito um grande esforço para ver emergir estas figuras femininas que surgem através de um meio onde as imagens e as legendas jogam um jogo com regras iguais, tanto para os homens, quanto para as mulheres. O campo está aberto…

Sandra Péré-Noguès

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